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Consideções – “Os Amores da Minha Vida”

Janeiro 6, 2008

Agora já não há mais dúvida! Tal frase certamente mexeria com Sócrates, só não sei se o sentimento que o abarcaria seria o de pena, de admiração ou de surpresa, meu voto é para curiosidade – ele ficaria curioso. No meu caso, remete à angústia, ou então lhe dá origem. Mas trato aqui do cotidiano, busco nada além de caminhos, breves conclusões, se deste puder se extrair mais tanto melhor.
Meu objetivo, deixando claro de uma vez, é repetir algumas palavras que escrevi tempos atrás para identificar se algo me escapou, dadas as novas constatações que fiz desde então. Farei referência a pedaços de texto em específico que em si não têm nada de extraordinário, e a principio, não parecerão levar-se sequer a sério, quem diria a algum lugar?, mas, me repito, está ai meu propósito, encontrar esse lugar que pode ter me passado despercebido.

Eis os tais textos:
————-
(1)
- Poxa, está tão difícil assim de achar?

- Nossa, realmente: você é o único amigo meu que eu ainda não beijei!
Quisera eu que estivesse falando com alguém anti-social, ou, ao menos que fosse feia para que eu pudesse dizer ao menos a mim mesmo: ainda bem! Mas esse não era o caso; estava muito longe disso.
- Poxa! – gosto de começar minhas frases de espanto assim – Eu sabia que era feio, mas…
- Não, não é nada disso.
- Claro que não! Não sou eu é você. “Não é você, sou eu!”.
- Mas é isso!
- Claro. Pode mentir pra mim. Diga-me as mentiras mais verdadeiras.
- Ah há! Mas é sério…
- Bem, se é esse o caso, podemos remediar isso já!
- É estranho, mas, sei lá, é algo que preciso preservar.
Preservar?! Akasha e Enkil devem ser preservados. Nem talvez a dignidade ou o caráter. Mas por que isso? E mais: por que agora? É, é realmente “estranho”. Meu outro amor diria “interessante”.
Continuei rindo enquanto o carro prosseguia, indiferente, rumo ao seu destino.

(2)
Ah! Riam-se de mim e do meu desespero sem medida, de minha dor sem sentido, de meu coração sem juízo!

(3)
- O que foi, meu amor? – ela me perguntou.
- Nada. – disse eu a ela.
- Quer que eu te ligue?
- Não, não precisa, nem se preocupar. Eu estou bem… é só que não estou.
- Queria ouvir sua voz, ao menos…
- A minha não é uma grande voz agora, hoje preciso da proximidade… preciso é de estar muito perto, então escolho a distância.
E isso foi tudo que dissemos antes do meu telefone tocar e eu correr para atende-lo. Tudo antes que tudo assumisse um significado bem outro. Que tudo acontecesse. Tudo antes da tragédia.
Toda pessoa tem o poder para o bem e para o mal. Admitamos, pois, que há vezes em que fazemos, ou nos pegamos fazendo, coisas que não gostaríamos de fazer e pelas quais um dia viremos a nos questionar. Mas, não obstante, é preciso que se admita que, longe de situações extremas em que se é obrigado por força ou bom-senso, fazemos estritamente o que queremos.
E eu ficava a esperá-la aparecer para que pudesse falar-lhe coisa que fosse. Todos aqueles angustiantes momentos enquanto os minutos iam aos poucos se tornando horas, bem aos poucos. A cada olhada, a cada vez que eu percorria a lista de contatos e a esperança me preenchia… Então que enfim ela entrou, e eu não sabia mais o que dizer. Talvez nunca tenha sabido ao certo. Nem agora. Faltam-me palavras mesmo para esse texto sem graça que nada tem do que eu realmente senti expresso nele. E eu sei que isso tudo sumiria: a angústia, a dor, a incerteza, a paixão, com apenas um beijo.
Entro naquele portal de relacionamentos. Não sou de entrar lá, mas me pego entrando frequentemente em horários em que eu sei que você pode estar por lá também. Sei que não podemos nos falar através dele. Entro só para ver sua foto aparecer no quadro das ultimas pessoas que entraram, e fico contente por ter acertado a hora. Poxa, olha ela ai! Rio sozinho até que o contentamento se converta em angústia novamente. Isso tudo tem algo de doentio. Ou então, melhor, é uma doença. Se eu ainda tivesse tempo para pensar, para perder, mas não é o caso. Não tenho tempo para quase nada, e, no entanto, assim mesmo ela teve tempo para brincar comigo, me contagiar e açoitar com sua ausência. Com certeza ela ri de mim enquanto rio, mas ela não pára quando paro. Ela ri ainda mais alto. Me desafia a achar um antídoto, e a querer tomá-lo.
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O que quero considerar aqui é o comportamento dos personagens principais, seus dramas (de onde provém e por quê). Mas para isso sei que terei de ser mais específico na ambientação. O farei à medida do necessário, e em seu momento oportuno; por hora me atenho aos textos e ao que remetem per se.

continua…